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A palavra “Congo”, para mim, é um conceito, não um país. Um conceito secreto, só meu, que eu uso para facilitar o processo de pensamento. O local mais confuso da África de hoje me dispara, com seu nome, um cadeia de associações mentais poderosas e, às vezes, até minha postura corporal muda. O Congo das coisas. Pelo menos uma vez por dia, isto é, quase com a mesma freqüência com que rezo a Ave Maria, esta uma outra obsessão minha, eu me lembro da palavra “Congo”, e alguma coisa é qualificada com ela. Descobrir o Congo de um determinado tema que estou estudando, chegar ao Congo. Congo é para mim, a imagem da origem, ou melhor, de um tempo anterior à origem, quando não se pode mais remontar atrás e as explicações mudam de tom. Tudo tem seu Congo, quando a sua identidade ainda não estava formada, e as forças componentes se entrechocavam, sem ter o que seria o seu futuro pela frente. Congo é estar na nascente, com as fontes dispersas, antes de se fundirem para formar um rio. Congo é a vida dos elementos, o lugar onde os arquétipos estão separados e podem ter o sentido alterado, os átomos ainda não formaram moléculas. Congo é a reunião das possibilidades, a partir de motores inesperados. Brutal, grave, terrestre, cores primárias, águas profundas, personagens de pedra, os choques. Quando, por exemplo, escuto um escritor contando como saiu da província, chegou no Rio de Janeiro para tentar a vida, e daí surgiu sua obra, seus encontros, suas idéias, uma biografia, tudo bem explicado, cheio de causas e encadeamentos, ou quando leio sobre o Bispo do Rosário que teria tido uma noite mítica em que recebeu ordens de Deus para realizar uma tarefa, e tudo teria começado ali, não dou o menor crédito a essas histórias. Estão omitindo o Congo dessas trajetórias, está faltando Congo aí. Talvez jamais se chegue ao Congo. Uso o conceito para entender esse jogo de origens e aludir a algo que não posso conhecer. Curiosamente, meu primeiro filme, de 1972, se chamou “Congo”. Eu pesquisava sobre Congos e Moçambiques, me apaixonei pelo Congo, o país, terra da mítica rainha Ginga, e fiz um filme experimental todo com letreiros, sem mostrar quase nenhuma imagem. Fico me perguntando por que fiz esse filme. Discussão antropológica, desconstrução da linguagem, desejo de radicalidade absoluta? Abandonei totalmente essa vertente aberta pelo filme “Congo” e, de alguma forma, ele se tornou o meu próprio Congo. Arthur Omar