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"Nem sempre sou brava ou forte Há dias que entra água na primeira palavra Confundo o Sul com o Norte Perco-me no rés do chão Há dias em que sinto tudo em contramão Em que o mundo é um caminho É um camião que me passa atravessado na garganta Há dias em que tudo o que preciso é uma manta Nem sempre sou brava Nos mais altos dos céus as palavras parecem ocas E algo se torna mais real Salto com um amargo na boca Numa paisagem feita de sal Nem sempre sou forte Os sonhos nascem rareados Com pouco pelo, desfiados, Nos novelos dos dias, nublados No hálito das segundas, terças, feias Que embaraçam as teias e me tornam menos humana Há dias que me levam arrastada pela semana Em que a dor desce num salto Num elevador estragado Num passo mal dado A descer um degrau A baixar a temperatura Olha o degrau Olha o degrau Esfolo o joelho a caminhar Com a sede de suar Há dias que me passa o barco E a vontade de remar Nem sempre sou brava A água entra na primeira e na última palavra E nem sempre sou forte Confundo o Sul com o Norte Perco-me no rés-do-chão Há dias assim, em que as rimas me saltam da mão E todas as sílabas sabem a tónicas Desequilibradas no receio De nunca mais conseguir beber um poema inteiro." Alice Neto de Sousa, Vertigem.