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CONFRARIA DO TROPEIRO apresenta UM SONHO PARA ANITA Autor: Osmar Antonio Ransolin Declamadora: Liliana Cardoso Amadrinhador: Jean Carlo Godóy Produção executiva: Pedro Júnior da Fontoura Direção de imagens: Guilherme Valadas Gravado no Estúdio Guaipeca em Esteio - RS. Homenagem da CONFRARIA DO TROPEIRO ao DIA INTERNACIONAL DA MULHER. Poesia classificada em 2º Lugar no Festival Literário "Caminhos de Anita", promovido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, no âmbito dos Festejos Farroupilhas de 2021. UM SONHO PARA ANITA Por estes caminhos antigos Que a memória revisita Também já andou, Anita. Por entre as pedras soladas Da vastidão de Morrinhos Palmilhando mil caminhos De memórias não contadas, Seguindo à beira da praia A buscar um lugar distante. Longe das almas cansadas E dos olhos dos viajantes. Onde pudesse despir a alma Pra que a espuma do mar Levasse com a corrente Tantos sonhos de menina. Não que não sonhasse, Sonhava tanto também... Mas o pobre pai tropeiro Que se fora assim tão cedo, Lhes deixara sem dinheiro Sem escora e sem vintém. A mãe por fim se empregara Num sobrado de família Pra tentar ganhar a vida E fazer casar as filhas, E fazer casar, Anita. Que agonia macilenta! Que sentia, o dia inteiro, Nessa vívida tormenta De viver co´sapateiro Homem morto - acabrunhado Quando não andava à pesca, Anda sempre emborrachado. E lhe buscava meio torto Com a baba pela boca, A sorrir com aqueles olhos Que lhe davam arrepios. Quanto andou longe de casa Tentando tirar o asco Nos longos banhos de rio... Por estes tempos antigos Que a memória revisita Também já chorou, Anita. Não era menina boba, Fora criada na luta! Subindo e descendo serra Curtida na vida bruta – Gritando boi pela encerra Pra nunca errar a conta, E era o braço do Bentão Se o laço soltava a ponta. No lombo de um gateado Fazia por merecer, Tinha a fibra e a coragem De quem nasceu pra sofrer. Por ser mulher, se fez guerreira, Moça guapa e altaneira Que enfrenta a dificuldade, Rica mulher brasileira Catarinense e tropeira, De sonhos de liberdade. Por estes campos antigos Que a memória revisita Também já tropeou, Anita. Tio Antonio trouxe as novas, Emaladas na bruaca Que a vida do tropeiro Permitia partilhar. Logo ali, pelo Rio Grande, Vinha um exército inteiro Pra na vila da Laguna Uma república fundar. Todo mundo em polvorosa E o vigário todo prosa Vai conclamando o povo A se unir com devoção: Neste sistema novo Há lugar pra toda gente, É um governo diferente Bem mais justo - e mais cristão. O sapateiro encachaçado Grita juras ao Império E logo corre se alistar. Mas Anita não se dobra! Faz da fé sua sentença E professa sua crença Na esperança de além mar. Por estes credos antigos Que a memória revisita Também já sonhou, Anita. Vem o dia assinalado Há combate em profusão Há tiro e gritos no forte Há rastros de dor e morte, E gritos de revolução. O império foge ao longe E o porto é tomado, Vem no convés do navio Um capitão-corsário! Que tem alma de pirata E um anel de carbonário, Olhos azuis de mar - Que faíscam como raio, Camisa vermelho sangue Sob um poncho uruguaio. E Anita desce a estrada Pra buscar água na fonte, Sem saber que era vista Pelos olhos cor de mar Do olhar do capitão. O italiano segue a amada Que cruza pela ponte Até lhe perder de vista, No arredor de alguma casa Oculta na imensidão. Desce a bote, pela praia, Pra correr pelas calçadas Buscando a jovem morena Que lhe deixara sem ar. A vê em pé junta à porta Numa casa tão singela E tão cheia de esplendor... O corsário de vereda se apequena É agora prisioneiro da morena, E o coração é tomado pelo amor. Por estes versos antigos Que a memória revisita Também já amou, Anita. Duzentos anos da história Se alargaram no horizonte Trazendo novos preceitos E novas ideologias... E o exemplo de Anita De lutar por igualdade, De romper os preconceitos Faz eco todos os dias, E inspira as mulheres Na busca por seus direitos. Pra esta jovem de Laguna Que lutou na Mortandade E enfrentou em Mostardas A vilania sem perdão, Há uma herança de glórias Nas memórias populares E nos feitos de bravura Ombreando o Capitão. Em cada mulher sofrida Que enfrenta a violência Que reage ao abuso E não teme o agressor, Há uma Anita viva! Que renasce a cada dia Nos caminhos desta vida De quem vive, pelo amor. Pelos caminhos esquecidos Que o Rio Grande ressuscita Também já andou, Anita.