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A BIBLIOTECÁRIA DE AUSCHWITZ Dita Kraus (n. 1929), a bibliotecária de Auschwitz, já foi retratada em romance (A Bibliotecária de Auschwitz, do espanhol Antonio Iturbe), mas ainda assim, aos 91 anos, resolveu contar a sua história de desespero e horror na autobiografia Uma Vida Adiada – Memórias da Bibliotecária de Auschwitz, porque o passado pode repetir-se, porque «o ódio não morreu», «o que aconteceu pode voltar a acontecer», e não se sentiria bem com a sua consciência se não passasse o seu testemunho às atuais gerações e às vindouras. Para poder partir em paz. Edita “Dita” Polachová (Kraus é apelido de casada) nasceu em Praga, na atual República Checa. E até aos 11 anos teve uma vida perfeitamente normal. Filha única de um casal judeu de classe média, frequentou a escola, brincou, fez amizades, teve as suas paixonetas... A felicidade teria fim em 1940, quando os alemães invadiram a sua cidade e, poucos meses depois, foi proibida de ir à escola devido ao facto de ser judia: «Roubaram-me a infância e a juventude», diz. «E isso afetou-me o resto da vida». Os pais de Dita não perceberam a tempo e não fugiram do país. Acreditavam que o pesadelo, mais tarde ou mais cedo, terminaria. Mas não terminou. E os nazis, a pouco e pouco, foram-lhes tirando tudo: proibiram-nos de entrar em cinemas, teatros, cafés, restaurantes, parques e jardins públicos; impediram-nos de frequentar as escolas; confiscaram-lhes joias, casacos de pele, rádios, instrumentos musicais, máquinas fotográficas, bicicletas, todos os bens de maior valor; interditaram-lhes os transportes públicos; obrigaram-nos a ostentar a Cruz amarela de David na roupa, com a palavra “jude”; tomaram-lhes os empregos e as casas. Chamaram-lhes nomes, cuspiram-lhes em cima, sujeitaram-nos a toda a espécie de humilhações. E depois, não satisfeitos, meteram-nos a molhe dentro de comboios, para lhes tirar a vida. A 20 de novembro de 1942, a família de Duda foi levada para Terezín, nos arredores de Praga, que servia de entreposto para os campos de extermínio. Com 13 anos, a rapariga foi feita prisioneira e condenada a trabalhos forçados pelo crime de ter nascido judia – algo de que só se aperceberia nessa época, nunca dera conta da sua etnia, em virtude de ter sido educada em ambiente secular. Trabalhou, primeiro, nas hortas do campo, mais tarde, numa oficina de fabrico de carteiras de couro. E assim passou um ano... Em dezembro de 1943 a família foi transferida para Auschwitz-Birkenau, na Polónia, onde tiveram a sorte de terem sido colocados no bloco BIIb, o “campo de família”, e ficar marcados para morrer daí a seis meses. A maior parte dos que com eles seguiam foram imediatamente gaseados à chegada ao campo de concentração ou semanas mais tarde. O campo era medonho: pessoas subnutridas, em pele e osso, afetadas por toda a espécie de doenças; um cheiro nauseabundo a urina e fezes; o ar empestado de carne queimada; gemidos, gritos, palavras de ordem dos guardas, latidos dos cães; pessoas dormindo em condições deploráveis, umas por cima das outras; uma higiene degradante; um frio de morte; um ambiente de terror e medo, dor e sofrimento. Dita foi para o bloco das crianças, gerido por um jovem e carismático judeu alemão, Fredy Hirsch, responsável por centenas de meninos e meninas que passaram por aquele setor, um anjo protetor que lhe surgiu naquele inferno, e que a encarregou de tomar conta da biblioteca mais pequena do mundo: uma dúzia de livros que haviam sido encontrados entre os pertences de judeus mortos no campo, trazidos, às escondidas, para o bloco das crianças e que foram guardados perto de uma chaminé – juntamente com alguns remédios e alimentos. Dita foi escolhida como a guardiã do saber na mais prolífica fábrica de morte da História. (...) Em Bergen-Belsen, as duas adoeceram de tifo. Aí, as condições eram tão desesperantes, que assistiram a um grupo de mulheres a alimentar-se de carne humana: era isso, ou morrer de fome. Finalmente, a 15 de abril de 1945, já perto do fim da guerra, o exército britânico entrou no campo de concentração. Para Dita foi a salvação, para a mãe, infelizmente, foi já tarde demais: tendo sobrevivido ao cárcere, acabaria por morrer, já livre, vítima de tifo. A 1 de julho de 1945, Dita, então com 16 anos, regressou à sua cidade natal, Praga, sozinha e sem nada de seu, apenas com a roupa do corpo e um número tatuado no antebraço: 73 305. A rapariga, bibliotecária de Auschwitz, tinha sobrevivido a um dos períodos mais negros da História da Humanidade. Sobreviveu para contá-lo. Para que não se esqueça. Para que não se repita.