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Chuva miúda caía feito benção triste naquela madrugada, e eu já tava com o bruto roncando alto na porta da transportadora. Scania R quatro cinco zero vermelho, meu companheiro de batalha, alinhado, tanque no talo, carga pronta. Tudo na medida. Só faltava o despacho do patrão. Mas cadê Seu Orlando? Enquanto eu esperava, com o rádio PX corujando umas modulações soltas de chofer perdido na um meia três, encostou um caminhão da roça, bicheira total, soltando fumaça e gemendo engrenagem. O cara desceu batendo poeira, olhou pro meu bruto e soltou: — E apois, chofer... tá rodando de viatura, hein? Essa vermelhona tá é um filé. — É, parceiro... mas filé também pesa — respondi seco, puxando a aba do boné sobre os olhos. Tava na liga. Ansioso. Tinha algo no ar... e não era só diesel. Então, o portão da transportadora abriu. Seu Orlando veio a passos firmes, mas o rosto... tava diferente. Preocupado. Ele carregava um envelope marrom, daqueles que parece guardar segredo pesado. Me entregou sem olhar muito nos olhos. — Tonho, você é o único que eu confio pra isso. Vai direto até o porto, sem parada. Nem pro cheiro da loura suada. E sozinho, entendeu? — Entendido, patrão. Pode deixar, é missão dada, missão cumprida. — Tô falando sério, Antônio. É carga sigilosa. E tem gente demais querendo pôr a mão. Se algo sair do eixo... não tem volta. Assenti com a cabeça, coração já batendo no ritmo do motor. Peguei o envelope, guardei na caixa, dei três passos pra trás e bati a porta da cabine com força. A viagem prometia ser longa... mas ainda não sabia o quanto. Quando girei a chave e o Scania roncou feito fera acordando, ouvi um grito vindo de trás do galpão. — Ei, espera! Pisei no freio seco. Luz do painel acesa. O limpador fazia seu vaivém lento. Olhei pelo retrovisor e vi uma figura correndo na chuva, de mochila nas costas e um casaco pesado cobrindo o rosto. Quando chegou mais perto, reconheci de cara: Clara, a enteada do patrão. — Me leva — disse, ofegante, batendo na porta da cabine. — Cê tá doida, chofer? Que papo é esse? — Me leva, Tonho. Não tem tempo de explicar. Eu preciso sair daqui agora. — Clara, seu padrasto foi claro: essa viagem é solo. Essa boleia aqui não é carona de estudante revoltada. Ela me olhou nos olhos, molhada até os ossos, os dentes batendo de frio. Mas o olhar... não era de menina mimada. Era de quem tava fugindo de alguma coisa grande. — É minha vida, Tonho... me leva ou vou a pé, não importa. Puxei o freio de mão com força. As gotas tamborilavam no teto de lata. A estrada chamava, o relógio corria, e eu já tava atrasado. Bati com a mão no banco do passageiro. — Sobe. Mas se der ruim, a culpa vai ser toda minha. Ela jogou a mochila no assoalho e entrou. Eu respirei fundo, pisei na embreagem e soltei a bota. O Scania arrancou pesado, engolindo o tapetão molhado da saída de Crateús como quem sabia que o batente não ia ser dos fáceis. Lá fora, o mundo ainda dormia. Mas dentro daquela cabine... o mundo acabava de acordar. E eu? Eu acabava de perder a paz.