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Há momentos na vida em que a fotografia deixa de ser profissão e passa a ser destino. Em pouco mais de vinte minutos, Gustavo Vara viveu um daqueles instantes que não cabem em palavras — mas que insistem em ser contados. Foram anos de espera até que surgisse a oportunidade de registrar, com sua própria lente, a formação original do Black Sabbath em solo brasileiro, na histórica turnê do álbum 13. Meses de preparação intensa antecederam aquele dia. Cada detalhe foi pensado, cada equipamento revisado, cada passo calculado. Não era apenas mais uma cobertura. Era a realização pessoal mais profunda de toda a sua trajetória na fotografia. Gustavo já havia testemunhado gigantes. Fotografou o Heaven & Hell com Ronnie James Dio um ano antes de sua partida. Esteve diante de Ozzy Osbourne na explosiva Scream Tour, em São Paulo. Registrou Glenn Hughes no camarim do Carioca Club. Experiências grandiosas — mas nada comparável à sensação de estar a poucos metros de Tony Iommi, Geezer Butler e novamente Ozzy, reunidos sob o peso da própria história. Enviado pela Rolling Stone para cobrir o primeiro show da turnê no Brasil, Gustavo chegou à FIERGS às onze da manhã, enfrentando um sol escaldante e a ansiedade que queimava ainda mais forte. Ao entrar no brete reservado ao número reduzido de fotógrafos, a realidade parecia distorcida — quase irreal. E então, o inesperado: o show começou antes do horário previsto. Cada acorde era um impacto físico. O som da SG de Iommi em “Into the Void” soava como uma serra atravessando a cabeça — pesado, cortante, visceral. Geezer, cada vez mais introspectivo e ocultista, espancava o baixo com intensidade quase ritualística, sem esboçar um sorriso. Ozzy, com seus movimentos já eternizados na memória de qualquer fã, parecia uma entidade materializada diante dos olhos. Não era apenas um concerto. Era um fenômeno. Ao redor, o público gritava, chorava, soluçava. Rostos em choque, mãos erguidas, corpos atravessados por décadas de devoção. Para Gustavo, aquele momento tinha raízes profundas: na adolescência, liderou uma banda cover do Sabbath, aventurando-se como vocalista, mergulhando na fase setentista com amigos de infância. Tudo começou ali. E agora, décadas depois, ele estava no lugar exato onde sempre sonhou estar — congelando em imagens aquilo que um dia apenas tocava em garagem. Foram dez anos de caminhada desde 2003, quando iniciou com uma humilde Yashica de filme. Uma década em função de um objetivo: registrar, com respeito e intensidade, os shows que moldaram sua formação musical e emocional. Com esse trabalho, fecha-se um ciclo. Mas a fotografia, assim como o som distorcido que ecoou naquela noite, nunca termina no último acorde. O material reunido agora seguirá para sua próxima etapa: ganhar paredes, luz, dimensão — na ordem e no tamanho que merecem. Mais do que uma cobertura histórica, foi um acerto de contas com o próprio passado. Um agradecimento silencioso a todos que ajudaram a pavimentar o caminho até ali. E a certeza de que alguns sonhos, quando finalmente enquadrados, tornam-se eternos.