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Acordou tarde demais para o próprio corpo, o teto era o mesmo, mas o peso não. Algo rangia por dentro, duro, torto, e o espelho evitava dar explicação. Tentou virar de lado — falhou no gesto, as pernas não obedecem mais ao querer. O tempo corria, o trabalho era o pretexto, mesmo sem forma… ainda precisava viver. Não gritou. Não perguntou por quê. Pensou no chefe, no trem, no dever. Pois quando o mundo te mede por função, até o absurdo aprende a se esconder. O quarto virou fronteira e cela, a porta fechada ensinou a exclusão. Do outro lado, a família espera, não por ele — mas pela obrigação. Chamaram seu nome com voz irritada, não por cuidado, mas por cobrança fria. A maçaneta girou, a verdade foi mostrada, e o nojo falou mais alto que qualquer empatia. Virou praga aos olhos de quem amava, peso morto, erro que respira. Antes sustentava — agora atrapalhava, pois só é humano quem ainda produz e conspira. O pai ergueu a força como sentença, a mãe virou rosto, incapaz de olhar. A irmã tentou — ainda havia crença, mas até a bondade cansa de tentar. Foi empurrado ao fundo do quarto, entre poeira, restos e silêncio hostil. Quanto menos falava, mais virava fato: não era ouvido — era um estorvo inútil. Aprendeu a andar pelas paredes, não por escolha, mas por adaptação. Quando o mundo não te cabe, tu te redesenhas, mesmo que isso custe a própria noção. A fome virou linguagem secreta, o corpo mudou antes do nome mudar. Já não queria o que antes era meta, pois sobreviver também sabe cansar. Ouviu risos do lado de fora, música, visitas, normalidade em flor. Enquanto isso, definhava na sombra, descobrindo que a ausência também tem som. A maçã cravou-se como memória, não só na carne — mas no sentido. Há feridas que contam melhor a história do que qualquer palavra que não foi dito. E quando parou de resistir, enfim, não foi derrota — foi exaustão total. O mundo seguiu, leve, sem ele ali, como se nunca tivesse sido essencial. O corpo cessou. O quarto respirou. A casa voltou a andar. A vida sorriu para quem ficou, sem precisar explicar. Pois não foi a barata que chocou a todos, foi o espelho que ninguém quis aceitar: que o valor dado ao homem é frágil, oco, e some no instante em que ele para de funcionar. E talvez ele tenha entendido por fim, tarde demais para avisar alguém: não foi o corpo que deixou de ser humano — foi o mundo que nunca foi também. #poesia #poesiabrasileira #poema #poemaautorais #textosautorais #escrita #escritaautorais #literatura #literaturabrasileira #slam #spokenword #poesiacontemporanea #cronica #prosa #reflexao #criticasocial #desumanizacao #alienacao #trabalho #produtividade #capitalismo #violenciaemocional #familia #abandono #exclusao #depressao #saudemental #existencialismo #metamorfose #kafka #franzkafka #dor #silencio #humanidade