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Não importa o credo, a fé ou o materialismo de quem entra na matriz do templo católico de Tomazina, no Norte Pioneiro do Paraná. O baque é inevitável. Não há um metro quadrado sem pintura artística sacra no prédio construído na década de 1930. O olhar se perde pelas paredes, pela nave. Mas é lá na frente, perto do altar, à direita de quem entra, em uma urna de cedro e vidro, que está o maior tesouro do lugar: as relíquias de um mártir do cristianismo que teria vivido no Século III. Trata-se de Santo Inocêncio, um jovem romano morto decapitado por se recusar a renegar a fé em Jesus Cristo, há mais de 1.800 anos, segundo a Igreja Católica. Incrivelmente, ossos, crânio, uma longa cabeleira e sobrancelhas do mártir - artisticamente acomodados em um corpo de cera – vieram parar na pequena cidade paranaense, que o IBGE estima ter 7.807 habitantes em 2020. As ruas todas de paralelepípedos e o Rio Cinzas, que vai margeando a área urbana, dão a Tomazina um ar de cenário daquelas novelas que se passam no interior. Foi em novembro de 1975, portanto há 45 anos, que Santo Inocêncio Mártir chegou à cidade, de helicóptero, pousando no campo de futebol. Um acontecimento. O fim de uma saga que havia começado na Itália. Freis capuchinhos comandavam a paróquia de Tomazina naquela época e queriam fazer algo que agitasse, que aumentasse a fé do povo dali. Sabendo que, na Paróquia de Santa Águeda, em Lendinara, na Itália, repousavam as relíquias de alguns mártires, conversaram com os padres de lá e conseguiram, depois da aprovação da população local, autorização para trazer Santo Inocêncio Mártir para o Brasil. Frei Carlos Maria, falecido em 2002, foi o responsável pelo transporte, no transatlântico Augustus. Colocou o corpo modelado em cera dentro de um caixote de madeira e omitiu o conteúdo das autoridades portuárias. Na prática, transportava restos mortais, o que geraria uma burocracia sem tamanho para o traslado. Os documentos reconhecidos pela Igreja Católica guardados em Tomazina dizem que, antes de Lendinara, as relíquias estavam nas Catacumbas de São Calixto, em Roma, onde ficaram até 1833, quando o Papa Leão XII ordenou que fossem abertas. Era local de sepultamento de cristãos martirizados nos primeiros séculos do catolicismo. Os restos mortais de Inocêncio e um punhado de pedras marcadas com sangue foram encontrados e retirados de uma tumba com a inscrição “Mártir”, o suficiente para o reconhecimento como santo. As pedras retiradas da catacumba também estão na urna, com as demais relíquias. Em Tomazina, os devotos são muitos. Não é difícil encontrar por ali pessoas nascidas a partir de 1975 que tenham o primeiro ou segundo nome de Inocêncio ou Inocência. “Eu recebo muitos testemunhos, principalmente de mãezinhas que não conseguiam engravidar. Quando são atendidas, pela intercessão de nosso mártir, colocam o nome dele na criança”, conta o pároco local, Claudinei Antônio Clanto Silva. Durante a meia hora que passamos dentro do templo, num início de tarde de sábado, mais de 12 joelhos se dobraram em frente ao altar. Pessoas pedindo ou agradecendo. Entre eles, Alexandre Campos, 39 anos, trabalhador da construção civil. “Santo Inocêncio é meu intercessor. Devo muitas graças a ele”, afirmou. O Paraná tem 399 municípios espalhados por 199.315 quilômetros quadrados. Em cada um deles é possível encontrar pelo menos uma história que beira o incrível. Esta de Tomazina é uma das quais eu mais gosto. Não importa a fé, vale conhecer e visitar.