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Formado no final da década de 1980, o grupo Racionais MC’s emergiu como uma das vozes mais potentes da juventude negra e periférica do Brasil. Composto originalmente por Mano Brown, Edi Rock, KL Jay e Ice Blue, o grupo nasceu na zona sul de São Paulo, mais precisamente nos bairros do Capão Redondo e do Grajaú. Desde o início, o coletivo se propôs a ser muito mais do que um grupo musical: tornou-se um instrumento de denúncia social, conscientização política e afirmação identitária para milhares de jovens brasileiros. O surgimento dos Racionais está intimamente ligado ao contexto de marginalização e desigualdade que marcava (e ainda marca) as grandes cidades brasileiras, especialmente nas periferias. Na década de 1980, o país vivia o fim da ditadura militar, mas as promessas da redemocratização pouco chegaram aos bairros pobres. A crise econômica, a precarização do trabalho, o crescimento da violência urbana e a explosão do tráfico de drogas criaram um ambiente de tensão constante. Paralelamente, o racismo estrutural mantinha negros e pobres afastados das oportunidades sociais, educacionais e culturais. Foi nesse cenário que o hip hop, importado dos guetos norte-americanos, encontrou eco entre jovens brasileiros que buscavam formas de expressar sua realidade. Influenciados por artistas como Public Enemy e N.W.A., os Racionais adaptaram as referências estrangeiras ao contexto nacional, utilizando o rap como linguagem de enfrentamento e resistência. Em vez de glamourizar a criminalidade ou romantizar a vida difícil, suas letras escancaravam a brutalidade do cotidiano das favelas e das quebradas paulistanas. Canções como “Pânico na Zona Sul” e “Homem na Estrada” narravam o sofrimento causado pela exclusão social, pela repressão policial e pela ausência do Estado. A polícia militar, frequentemente retratada como agente de opressão, aparece como inimiga da juventude negra, não por acaso: a letalidade policial sempre foi desproporcional contra essa população. O primeiro grande sucesso do grupo veio com o disco “Raio X do Brasil” (1993), que consolidou a identidade sonora e política dos Racionais. No entanto, foi o álbum “Sobrevivendo no Inferno” (1997) que os elevou à categoria de lenda. Com faixas como “Diário de um Detento” — baseada nos relatos de Jocenir, sobrevivente do Massacre do Carandiru — e “Capítulo 4, Versículo 3”, o disco é um retrato cru do Brasil urbano, racista e excludente. O impacto foi tamanho que a obra passou a ser estudada em escolas e universidades, sendo até incluída como leitura obrigatória em vestibulares. A força dos Racionais MC’s não está apenas em sua musicalidade — marcada por bases densas, samples de soul e funk dos anos 1970 —, mas principalmente na profundidade de suas mensagens. O grupo se tornou uma referência de empoderamento para a população negra, ao reafirmar a autoestima e promover debates sobre temas como encarceramento em massa, genocídio da juventude negra, desigualdade de renda e ausência de políticas públicas efetivas. Ao longo das décadas, mesmo com períodos de menor atividade, os Racionais permaneceram como uma força cultural relevante. Não se renderam ao mercado, evitaram a grande mídia e priorizaram a coerência ideológica em detrimento do sucesso comercial imediato. Sua trajetória é marcada por uma postura crítica, por vezes radical, mas profundamente enraizada na vivência das ruas. Mano Brown, com sua voz grave e olhar introspectivo, se consolidou como porta-voz de uma geração que cresceu desacreditada, mas não silenciada. A origem dos Racionais MC’s é, portanto, inseparável da história das periferias brasileiras. Mais do que artistas, eles se tornaram cronistas urbanos, intérpretes de uma realidade negligenciada pelos poderes públicos e frequentemente distorcida pelos meios de comunicação. Suas rimas são documentos históricos de uma era de exclusão, mas também de resistência. Representam um grito coletivo por justiça, dignidade e reconhecimento.