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UnB - A universidade interrompida Tive o privilégio de ser da primeira turma de alunos da Universidade de Brasília. Meu pai, Artur Neves, fundador da Editora Brasiliense e editor das obras completas de Monteiro Lobato, num encontro casual com Darcy Ribeiro no saguão do aeroporto de Congonhas, em 1962, foi convidado por ele a implantar a editora da UnB. Entusiasmado, ele seguiu impetuosamente o Darcy, no mesmo voo, sem mala, sem roupas, para um desafio maravilhoso: junto com os maiores professores e intelectuais brasileiros, construir uma universidade modelo. Baseados nas ideias de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, dois pensadores da educação que conseguiam concretizar seus planos, mudando leis e atraindo pessoas idealistas como eles, fundaram em pouco tempo uma universidade de padrão internacional, erguida num campusque congregava professores e alunos numa alegre fraternidade. Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Alcides da Rocha Miranda, Hermes Lima, Abgar Renault, Frei Mateus Rocha, José Leite Lopes, Maurício Rocha e Silva, Cyro dos Anjos, Eudoro de Souza, Agostinho da Silva, Amélia Toledo, Paulo Emílio Salles Gomes, Cláudio Santoro, eram nomes desse primeiro período da UnB. E esse entusiasmo coletivo fez com que, em pouco tempo, a UnB se erguesse, realizando o primeiro vestibular, recebendo os primeiros alunos. No dia 9 de abril de 1964, contudo, uma semana depois do golpe militar que alijou Jango Goulart do poder e acabou com a democracia no Brasil, dois mil soldados armados com metralhadoras invadiram o campus universitário. Num arremedo de caça às bruxas, eles apreendiam livros e bandeiras, cometendo equívocos risíveis, como arrebatar a bandeira japonesa, julgando que fosse da China comunista, ou exemplares de O vermelho e o Negro, magistral romance de Stendhal, como obra subversiva. Mas o que dá pra rir, também dá pra chorar e foram amargos os dias que sucederam ao golpe: 16 coordenadores de curso e professores fugiram para não serem presos, alunos e líderes estudantis foram perseguidos e detidos. Meu pai fugiu anonimante para São Paulo, sua cidade de origem, e nem mesmo nós, a sua família, sabíamos de seu paradeiro, como medida de segurança. A universidade ficou acéfala e todos nós sentimos que o sonho acabara. Ainda hoje me indago o que foi que motivou invasão tão precipitada, quando as coisas ainda não estavam tão organizadas, no novo regime. E, é claro, penso que foi um golpe de mestre, uma tentativa bem sucedida de acabar com a intelligentsia brasileira, deixando a UnB, tão promissora, como terra arrasada. Aquele celeiro de novas ideias e experimentações científicas e humanísticas, com a pretensão de ser um plano-piloto a ser replicado nas demais universidades brasileiras, ainda tentou resistir por quase um ano. Mas a crise havia sido muito profunda, o golpe mortífero, culminando em outubro de 1965 com a demissão em massa de 223 dos professores remanescentes O sonho acabara. Os dois reitores que sucederam Darcy e Anísio, os professores Zeferino Vaz e Laerte Ramos, não tinham a estatura nem a grandeza de seus antecessores e entraram numa política mesquinha de desmoralização do quadro docente da UnB que eles, injustamente, consideravam medíocre. A quem se interessar pelo assunto, recomendo o excelente livro do Prof. Roberto A. Salmeron, A Universidade Interrompida - Brasília 1964-1965, Brasília, Editora da UnB, 1999. Muito elucidativo também é ler o Plano Orientador da Universidade de Brasília, Brasília, Editora da UnB, 1962.