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A expressão “autossabotagem” tornou-se uma palavra-chave do nosso tempo. Ela circula em redes sociais, livros de autoajuda, discursos motivacionais e até em ambientes terapêuticos como uma espécie de diagnóstico rápido: algo deu errado, logo, “eu me sabotei”. No entanto, quando olhamos com mais atenção — clínica, filosófica e antropologicamente — percebemos que essa palavra diz mais sobre a nossa dificuldade contemporânea de compreender o conflito humano do que sobre um suposto desejo de autoaniquilação. O que chamamos de autossabotagem não é, na maioria das vezes, um querer consciente de fracassar, mas uma tentativa confusa, defensiva ou mal elaborada de preservar algo que o sujeito sente estar ameaçado. Essa constatação exige um deslocamento de olhar. Em vez de perguntar “por que faço mal a mim mesmo?”, a pergunta mais honesta passa a ser: “o que estou tentando proteger, sustentar ou evitar quando ajo assim?”. É nesse ponto que a noção de “falácia da autossabotagem” ganha consistência. Ela não nega o sofrimento real nem os comportamentos que produzem prejuízos concretos; ela questiona a interpretação simplista que atribui tais atos a uma pulsão obscura de destruição pessoal. Como bem lembra a psicanálise, especialmente na leitura contemporânea de autores como Christian Dunker, o termo “autossabotagem” funciona muitas vezes como um rótulo que unifica processos muito diferentes, escondendo mais do que revela. Do ponto de vista psicanalítico, não existe ato humano desprovido de sentido. Mesmo aquilo que parece irracional, repetitivo ou prejudicial responde a uma lógica — ainda que inconsciente — de economia psíquica. Freud já havia descrito, por exemplo, os sujeitos que “fracassam quando triunfam”: pessoas que, ao alcançarem uma posição desejada, passam a agir de modo a perdê-la. Não se trata de masoquismo simples, mas de uma relação complexa com a culpa, com o desejo e com figuras de autoridade internalizadas. Em muitos casos, o êxito representa uma ameaça à posição psíquica construída ao longo da vida: vencer pode significar ultrapassar o pai, abandonar o lugar protegido de filho, assumir uma responsabilidade existencial para a qual o sujeito ainda não se sente autorizado. A perda, paradoxalmente, mantém uma ordem interna conhecida. Aqui, a ideia de sabotagem começa a ruir. O sujeito não está atacando a si mesmo; está tentando preservar uma organização psíquica que lhe garante alguma estabilidade, ainda que precária. Como observa Dunker, há comportamentos que parecem guerras silenciosas, travadas “na surdina”, não contra si, mas contra o outro — ou contra o desejo do outro introjetado —, ainda que o preço seja pago pelo próprio sujeito. A falácia nasce quando ignoramos essa dimensão relacional e simbólica e reduzimos tudo a uma narrativa moralizante: “eu falhei porque não me esforço”, “eu não mereço”, “eu sempre estrago tudo”. Desconstruir a falácia da autossabotagem não significa negar responsabilidade, mas reposicioná-la. A responsabilidade não está em se punir por falhar, mas em assumir o trabalho lento e exigente de autoconhecimento, educação da vontade e ordenação da vida interior. É substituir a pergunta “por que sou assim?” por “o que preciso aprender, fortalecer ou integrar?”. É trocar a culpa paralisante pela lucidez transformadora. No fim, talvez o maior erro do discurso da autossabotagem seja este: ele promete explicação rápida para um drama que exige profundidade. A alma humana não é um campo de batalha entre um “eu bom” e um “eu sabotador”, mas um território complexo onde medo, desejo, memória, razão e vontade disputam sentido. Compreender isso não elimina o conflito — mas devolve ao sujeito algo essencial: dignidade, responsabilidade e esperança de maturação. Com Maikelly Aponi (Psicanalista)