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“Eu sou puta!” É assim que Lourdes se apresenta, sem rodeios. Mas sua história não começa num lugar específico, começa quando o mundo decide que a culpa, quase sempre, cai no colo de uma mulher. Aos 14 anos, Lourdes sofreu abuso sexual de um tio, e o jeito que a família encontrou de lidar com a situação foi expulsando ela de casa, como se ela tivesse culpa. Foi numa praça que Lourdes foi encontrada por uma pessoa que percebeu que ela estava assustada, sem força para explicar o que tinha acontecido, e a levou até um bordel. O que surpreende é que Lourdes se sentia mais segura na casa de prostituição do que em casa, dentro da própria família, afinal, ali estava num ambiente em que outras mulheres estavam juntas, todas se ajudando. No bordel existia união, rotina e uma rede de apoio muito forte. Quando a exploração apertava, elas se organizavam, faziam greve por comida, descanso e dignidade. Lourdes rodou todo o nordeste brasileiro e passou por várias casas até chegar a Belém, cidade em que ela construiu família, criou 4 filhos e virou avó de 10 netos. Em nenhum momento ela romantizou nada. Ela foi empurrada para sobreviver do jeito que dava, e hoje é contra que alguém tão jovem precise passar por isso. Mas Lourdes nunca teve vergonha do que fazia também. Sua profissão sempre alimentou sua família, por isso, ela não mentiu para os filhos sobre de onde vinha o dinheiro, porque para ela a mentira também é uma forma de abandono. Lourdes sempre lutou pelos direitos das prostitutas, dentro dos bordeis e na política também. Na primeira reunião do Conselho dos Direitos da Mulher, em Belém, aconselharam que não dissesse que era puta. Lourdes disse mesmo assim e, ao dizer, conseguiu mobilizar o poder público para existirem direitos para quem vive essa realidade: educação, saúde, moradia, creche para os filhos e, acima de tudo, respeito. No fim, Lourdes mostra que coragem, às vezes, é simplesmente não se esconder, sendo puta ou não.