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"Os céus publicam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos." – Salmo 18:1, versão bíblica do padre Antonio Pereira de Figueiredo. Esse excerto psálmico davídico evoca a Criação do Empíreo por Vontade e Glória de Deus, afirmando no Salmo 148:3 que Ele tem todas as estrelas numeradas e nomeadas: "Louvai-o, sol e lua, todas as estrelas, e o lume". No Livro de Job 38:32 o Zodíaco é referido pelo nome hebraico Mazzarah, indicativo das “constelações”, sendo que em latim é Ara. E o mesmo Job, cujo livro porventura será o mais iniciático de todo o Antigo Testamento, diz ainda: "Ordena ao sol e o sol não nasce, e guarda sob selo as estrelas. Ele criou a Grande Ursa, as Plêiades, e as câmaras austrais" (I Jo., 9:7-9). Por sua vez, o Eterno pergunta à pequenez humana: "És tu que atas os laços das Plêiades, ou que desatas as correntes de Orion? És tu que faz sair, a seu tempo, as constelações, e conduz a Ursa Maior com os seus filhinhos? Conheces as leis do céu? Acaso regulas as suas influências sobre a terra? Quem pôs a sabedoria nas nuvens, ou quem deu inteligência aos meteoros? Quem pode enumerar as nuvens e inclinar os odres do céu, para que o pó se mova em massa compacta e os seus torrões se aglomerem?" (I Jo., 38:31-38). A fundação do Universo pelo Divino era conceito profundamente enraizado na mentalidade da primitiva Israel, sendo que a ciência astrológica era daquelas poucas estudadas e aplicadas pelos sábios de então (da mesma estirpe iniciática dos “reis magos” que foram a Belém saudar o Salvador, após guiados pela estrela da conjunção que perseguiam), tomando por justificativa na legalidade da ortodoxia do Livro Sagrado a sentença do Eterno logo ao início do mesmo: Deus disse: "Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. Sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos" (Gênese, 1:14). Depois, quando as doze tribos de Jacob, que o Anjo de Deus chamou de Israel, se reuniram em torno do Tabernáculo do Deserto, para se distinguirem entre si utilizaram pavilhões com os animais que viriam a figurar no Zodíaco, conforme assinala o capítulo 49:1-32 da Gênese: para Benjamim, Carneiro; para Issacar, Touro; para Simeão e Levi, Gémeos; para Zabulão, Caranguejo; para Judá, Leão; para Aser, Virgem; para Dan, Balança; para Gad, Escorpião; para José, Sagitário; para Neftali, Capricórnio; para o primogênito Ruben, Aquário; para Efraim e Manassés, Peixes. Essa disposição zodiacal das doze tribos hebraicas irá repetir-se aquando da construção do Templo de Jerusalém encomenda pelo rei Salomão ao Arquiteto Hiram Abiff, mas também se registra nos doze trabalhos de Sansão, parentes daqueles de Hércules, e inclusive nos doze apóstolos de Cristo, cada um com as suas especificidades, que serviriam de protótipo para Carlos Magno e os doze pares de França, sem esquecer o célebre Magriço e os doze paladinos da Inglaterra cantados por Luís de Camões em "Os Lusíadas". A Astrologia dos sábios, que sobretudo era Astrosofia, diferia da atual como a noite difere do dia. Era ciência iniciática sobretudo, como já disse, tendo as suas bases cosmogenéticas e antropogenéticas onde o fator divinatório era de todos o menos importante, ao contrário de hoje, como de certo modo se sugere em Juízes 5:20: "Desde os céus pelejaram; até as estrelas desde os lugares dos seus cursos pelejaram contra Sísera". Se a antiga Teosofia, a Sabedoria Arcana de Deus-Deuses (Eloha-Elohim), ao da par da Teurgia como Obra Divina aplicada como meio para alcançar a mesma Divindade por meio das suas Cortes Celestes, absorvendo gradualmente a Sabedoria realizadora como método de Iniciação verdadeira, assistia as modelos religiosos e iniciáticos, já as práticas necromânticas e divinatórias, por senso comum consideradas funestas, eram alvo de censura, repressão e abomínio, expurgadas e desterradas para a marginalidade obscura, mental, moral e exercitante, das sociedades, como se registra claramente em Deuteronômio 18:9-14; Isaías 8:19; Levítico 19:31, 20:6-27; II Reis 21:6; Ezequiel 13:18; Malaquias 3:5. É, pois, dos aspectos menos ou nada conhecidos da Astrologia que este trabalho nos revela à luz da Teosofia. Nele é apresentada uma visão mais que tudo iniciática. Nosso convidado é Vitor Manuel Adrião, graduado em História e Filosofia, conferencista, escritor e fundador da Comunidade Teúrgica Portuguesa.