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Estamos mesmo vivendo uma “corrida armamentista das IAs” entre países em busca de uma AGI que dominaria o mundo… ou essa história é só uma narrativa conveniente? Neste vídeo, eu vou desmontar a ideia de que basta deixar o ChatGPT, o Gemini ou o DeepSeek maiores e mais potentes para nascer uma Inteligência Artificial Geral. Afinal, AGI não é “um modelo que escreve bem” — AGI é uma inteligência capaz de fazer todas as tarefas humanas tão bem quanto um ser humano… inclusive coisas fora da caixinha da linguagem, como lavar uma pilha de louça. A gente vai encarar de frente a confusão (muitas vezes intencional) entre “IA impressionante” e “IA geral”. Modelos de linguagem são uma arquitetura específica: brilhantes em linguagem e tarefas relacionadas, mas limitados por definição. E é aqui que entra o hype: previsões públicas sobre “AGI até 2030”, declarações de CEOs, e a sensação de que estamos em uma linha reta inevitável rumo a uma supermente. Só que, quando você olha de perto, percebe que o termo “AGI” às vezes vira uma meta flexível, redefinida para caber em objetivos de mercado, investidores e manchetes — inclusive com relatos de acordos e métricas financeiras que tentam “carimbar” o momento da AGI sem depender das capacidades reais. Depois, a comparação com a Guerra Fria. Na corrida nuclear entre Estados Unidos e União Soviética, era tudo mais direto: ogivas, mísseis, capacidade de destruição, contagem de arsenais, e o equilíbrio tenso da destruição mútua assegurada. Já com IA, a conversa é outra. IA não é uma “arma de uma função só”. É uma tecnologia de uso duplo: pode fazer uma rima sobre pamonha, otimizar um processo burocrático, melhorar logística, detectar padrões em dados… e também servir para reconhecimento de alvos, ciberataques, vigilância, pilotagem autônoma e drones. Isso torna quase impossível medir “quem está ganhando” do mesmo jeito que se media toneladas de TNT. E tem mais: a corrida de IA não é centralizada como a corrida nuclear. Em vez de governos controlando todo o desenvolvimento, boa parte da inovação acontece na esfera civil e empresarial, com competição de mercado entre gigantes como OpenAI e Google, com pesquisa internacional, laboratórios, universidades e colaborações que atravessam fronteiras (inclusive com empresas multinacionais e centros como a DeepMind no Reino Unido). Os governos tentam se aproximar disso depois — via contratos, subsídios, leis, parcerias, influência regulatória — mas a dinâmica é muito mais descentralizada e opaca. No fim, a tese é simples e desconfortável: chamar isso de “corrida armamentista por AGI” pode até soar dramático, mas distorce o que realmente está acontecendo. Não existe uma linha de chegada clara chamada AGI sendo perseguida por todo mundo — existem incentivos econômicos e estratégicos empurrando sistemas melhores em tarefas específicas. E, diferente do equilíbrio estável (ainda que tenso) da Guerra Fria, a IA tem potencial de causar disrupção em quase todos os aspectos da vida humana nas próximas décadas. A pergunta não é só “quem chega primeiro”, e sim “que mundo a gente está construindo enquanto corre”. _____________ Apresentação e Roteiro: Davi Calazans Edição: Rodrigo Fernandes _____________ Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil. _____________ Busque as referências deste vídeo no link no canal. 590