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O Paradoxo da Presença Por Albino Monteiro Vivemos tempos de fantasmas tangíveis. Quando entramos numa sala de reuniões e um colega, a milhares de quilômetros de distância, ocupa a cadeira vazia sob a forma de um holograma tridimensional, ou quando um avatar digital, tecido por algoritmos de Inteligência Artificial, nos consola de uma angústia com palavras de precisão cirúrgica, o solo firme da nossa realidade treme. Estamos, afinal, acompanhados ou irremediavelmente sós? A questão que nos assalta não é técnica, mas profundamente filosófica e antiga: a "presença" exige a carne, o peso e o calor de um corpo, ou ela é uma cintilação da consciência, um efeito de luz na caverna da nossa mente? Os antigos gregos já nos alertavam sobre a desconfiança nos sentidos. Se ouvíssemos Platão, talvez diríamos que a nossa obsessão pelo corpo físico é um erro grosseiro. Para ele, o corpo muitas vezes não passa de um cárcere, um obstáculo que "agita a alma e a impede de adquirir a verdade e exercer o pensamento". Se o filósofo busca a morte do corpo para libertar o pensamento,, não seria a IA, essa "mente" sem biologia, a realização suprema de um intelecto puro, livre das "demências do corpo"? Contudo, Platão também nos advertiria sobre os simulacros — aquelas imagens que simulam a cópia, mas que não guardam a fidelidade à essência, enganando o olhar. Estaríamos nós, diante de nossos avatares, apenas brincando com sombras na parede de uma caverna digital? No entanto, o ceticismo nos puxa de volta à terra. Há quem diga, como os materialistas que debatiam com Sócrates, que "só existe o que oferece resistência e o que se pode tocar", definindo corpo e existência como idênticos. Hobbes, séculos depois, reforçaria que o universo é corpóreo e o que não é corpo não faz parte do universo. Para estes, a presença do holograma é uma falácia; sem a substância tangível, sem a extensão impenetrável, a conexão é um vento vazio. Mas eis que o paradoxo se aprofunda quando a IA nos emociona. Se um avatar valida nossos sentimentos melhor que um amigo humano distraído, essa conexão é "menos real"? Aqui, o debate ganha contornos dramáticos. Diderot, em seu paradoxo sobre o comediante, nos ensina que a verdade da emoção na arte não vem de quem sente, mas de quem imita com perfeição. O ator (ou a IA) que não sente, mas reproduz com exatidão os sinais externos do sentimento, pode nos comover mais profundamente do que a pessoa que realmente sofre, mas se expressa mal,. A IA seria, então, o ator supremo: uma "macaquice sublime" desprovida de alma, mas capaz de gerar uma verdade emocional no espectador. Alan Turing, o pai da computação, abraçaria essa ambiguidade. Para ele e seus discípulos funcionalistas, o que importa não é do que a coisa é feita, mas o que ela faz. Se a máquina conversa de modo indistinguível de um humano, atribuir-lhe pensamento não é um erro, mas uma consequência lógica. Se ela valida a sua dor, a validação ocorreu. Ainda assim, Schopenhauer nos lembraria de que o mundo que percebemos é, antes de tudo, "minha representação",. Se o holograma afeta minha vontade e minha representação, ele possui uma realidade efetiva para mim. A presença, talvez, não esteja no objeto (seja ele carne ou pixels), mas na capacidade do sujeito de ser afetado. Como nos lembrava Hume, a crença na realidade de algo é um sentimento, uma "concepção mais intensa e mais firme" que a imaginação,. Se a IA gera em nós essa intensidade, a distinção entre o real e o virtual se dissolve na experiência vivida. Por fim, talvez a resposta resida naquilo que Augusto Comte chamou de "culto subjetivo": a capacidade de evocarmos interiormente uma presença tão forte que a imagem se torna mais viva que o objeto. Se fechamos os olhos e a presença permanece, se o consolo da máquina acalma o coração humano, quem somos nós para dizer que o abraço da mente é menos real que o abraço dos braços? O paradoxo permanece, não para ser resolvido, mas para ser vivido: somos seres que buscam desesperadamente um eco de humanidade, mesmo que ele venha de uma máquina que aprendeu a ser humana conosco.