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A Estética do "Eu" Algorítmico´ Por: Albino Monteiro Quando deslizamos o dedo pela tela iluminada, acreditamos estar no comando. Escolhemos a música, curtimos a foto, ignoramos a notícia. No entanto, paira no ar uma suspeita antiga, agora vestida com a roupagem fria dos dados: será que somos os senhores de nossa própria casa mental? A filosofia, há séculos, nos alerta sobre a ilusão da liberdade. Espinosa, com uma precisão cirúrgica, já nos avisava que os homens se julgam livres apenas porque estão conscientes de suas volições e desejos, mas são completamente ignorantes das causas que os dispõem a querer e a desejar,. Hoje, essas "causas" que desconhecemos têm nome e endereço: são os algoritmos de recomendação. Eles operam no silêncio dos servidores, conhecendo nossas inclinações melhor do que nós mesmos, transformando-nos em sonhadores de olhos abertos. Vivemos, talvez, numa versão atualizada e digital da Caverna de Platão. O que vemos em nossas "timelines" não são a realidade, mas sombras projetadas para nos manter inertes e conformados. As "bolhas cognitivas" e as câmaras de eco das redes sociais funcionam como os grilhões modernos, onde as emoções básicas — o medo, a inveja, o ódio — são manipuladas para criar crenças que não correspondem aos fatos, mas aos nossos desejos mais viscerais,. Como prisioneiros confortáveis, rejeitamos a luz do sol em favor das sombras familiares que o sistema nos oferece, pois questionar nossas crenças arraigadas gera um desconforto que preferimos evitar. Mas a questão se aprofunda: o que resta do "Eu" se o desejo é induzido? Schopenhauer nos diria que a vida oscila, como um pêndulo, entre a dor e o tédio, impulsionada por uma Vontade cega e insaciável,. O algoritmo, astuto, aprendeu a alimentar essa Vontade. Ele nos entrega o objeto do desejo antes mesmo que a carência se torne dor, mas logo nos empurra para o próximo item, o próximo vídeo, evitando o tédio, mas nos aprisionando num ciclo de satisfação efêmera. Se o nosso intelecto deveria ser a lanterna que ilumina o caminho da Vontade, hoje ele parece ofuscado pela luz artificial das telas, tornando-se um mero instrumento de um sistema que quer por nós. Kant nos convidaria a examinar se estamos agindo por autonomia ou heteronomia. Quando nossos gostos e opiniões são moldados por uma força externa — seja ela a natureza, as inclinações ou um código binário —, não estamos agindo livremente. A verdadeira liberdade, a autonomia, exige que a vontade seja uma lei para si mesma, independente de objetos desejados ou influências externas,. Se minha opinião política é apenas o reflexo estatístico do meu perfil de consumo, estou agindo sob uma lei estranha a mim; sou um autômato espiritual, e não um ser livre. Há, contudo, uma esperança na própria estrutura da consciência humana. Sartre nos lembra que a existência precede a essência; não somos objetos fabricados com um destino definido, como um cortador de papel. Somos um projeto, um lançar-se para o futuro. Mesmo que o algoritmo tente nos definir, fechando-nos em categorias estatísticas, a nossa condição humana implica a liberdade radical de introduzir o "nada", a negação, o inesperado no mundo. Podemos, a qualquer momento, romper com a previsão. O desafio, portanto, é retomar a antiga máxima socrática: "Conhece-te a ti mesmo",. Mas não um autoconhecimento mediado por métricas de engajamento. Precisamos recuperar a capacidade de discriminar entre o verdadeiro e o falso, entre o real e o ilusório, uma faculdade que pertence apenas à consciência individual e reflexiva, e jamais a um coletivo ou a uma máquina. O "Eu" algorítmico é uma caricatura, uma sombra. O "Eu" real é aquele que, no silêncio da deliberação, é capaz de suspender o desejo automático e perguntar: "Isso é verdade? Isso é justo?". Onde termina o algoritmo e começa o livre-arbítrio? Começa no instante de hesitação, na capacidade de dizer "não" à sugestão confortável, e na coragem de pensar por si mesmo, recusando-se a ser um mero reflexo de dados alheios. Por: Albino Monteiro