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Você já parou para pensar que o seu corpo é praticamente o mesmo de um humano que viveu há 50 mil anos… mas a sua alimentação mudou radicalmente nos últimos 100? Esse é o conceito de descompasso evolutivo: nossos genes são moldados por milhões de anos de seleção natural, enquanto o ambiente moderno — especialmente alimentar — mudou em ritmo industrial. Durante 99% da história humana, nossos ancestrais consumiam alimentos minimamente processados: carnes, peixes, ovos, frutas sazonais, raízes, tubérculos, castanhas. A densidade energética existia, mas exigia esforço físico. A recompensa alimentar era limitada pela escassez e pelo trabalho necessário para obtê-la. Agora compare isso com o ambiente alimentar atual. Grande parte do que encontramos no supermercado são ultraprocessados — formulações industriais feitas com óleos refinados, açúcares, farinhas altamente modificadas, aditivos, emulsificantes, realçadores de sabor e combinações artificiais de sal, gordura e açúcar. O problema não é apenas “ter açúcar” ou “ter gordura”. O problema é a matriz alimentar artificialmente manipulada para maximizar palatabilidade e consumo. Em um Estudo de 2019 publicado na revista Cell Metabolism intitulado “Ultra-Processed Diets Cause Excess Calorie Intake and Weight Gain” (Dietas Ultraprocessadas Causam Maior Ingestão Calórica e Ganho de Peso), Hall e colaboradores demonstraram que indivíduos consumindo dieta ultraprocessada ingeriram, em média, 500 kcal a mais por dia em comparação com dieta baseada em comida de verdade — mesmo com macronutrientes e calorias planejadas para serem equivalentes. O resultado? Ganho de peso significativo em apenas duas semanas. Isso evidencia que não é apenas uma questão de “força de vontade”. A estrutura física e química do alimento altera saciedade, velocidade de ingestão e sinalização hormonal. Outro ponto crítico é a hiperpalatabilidade. Em um Estudo de Fazzino et al. (2019), publicado na revista Obesity, alimentos ultraprocessados foram classificados como hiperpalatáveis quando combinavam níveis específicos de gordura e sódio, ou carboidratos e gordura, estimulando circuitos de recompensa no cérebro de maneira semelhante a substâncias aditivas. Nosso cérebro evoluiu para valorizar densidade energética porque, no ambiente ancestral, isso era sinônimo de sobrevivência. No ambiente moderno, essa mesma programação nos leva ao excesso. Além disso, emulsificantes e aditivos presentes em ultraprocessados têm sido associados a alterações na microbiota intestinal e na permeabilidade intestinal em modelos experimentais, sugerindo possíveis efeitos metabólicos adversos (CHASSAING et al., 2015, Nature). O descompasso evolutivo não significa que devemos “voltar para as cavernas”. Significa entender que nosso metabolismo responde melhor a alimentos estruturalmente reconhecíveis pelo organismo. Comida de verdade tende a apresentar: • Maior densidade nutricional • Melhor sinalização de saciedade • Menor densidade energética por volume • Menor velocidade de ingestão • Menor estimulação artificial de recompensa Quando priorizamos carnes, ovos, peixes, vegetais, frutas naturais, tubérculos e alimentos minimamente processados, estamos reduzindo esse ruído metabólico. Não se trata de demonizar alimentos isolados. Trata-se de compreender o ambiente alimentar como um fator biológico potente. A epidemia de obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica não surgiu porque “de repente perdemos disciplina”. Ela surgiu porque o ambiente alimentar se tornou incompatível com nossa biologia. O descompasso evolutivo é silencioso, mas cumulativo. E a solução não é necessariamente radical — é estrutural: reorganizar a base da alimentação em torno de comida de verdade. Se o seu corpo foi moldado por milhares de gerações consumindo alimentos naturais, talvez faça sentido começar por aí. Referências CHASSAING, B. et al. Dietary emulsifiers impact the mouse gut microbiota promoting colitis and metabolic syndrome. Nature, v. 519, p. 92–96, 2015. FAZZINO, T. L. et al. Highly processed foods and reward-related eating: hyper-palatability and energy intake. Obesity, v. 27, n. 11, p. 1761–1768, 2019. HALL, K. D. et al. Ultra-Processed Diets Cause Excess Calorie Intake and Weight Gain: An Inpatient Randomized Controlled Trial. Cell Metabolism, v. 30, n. 1, p. 67–77.e3, 2019. MONTEIRO, C. A. et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutrition, v. 22, n. 5, p. 936–941, 2019.