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Referência E.R. Dodds - The Greeks and the Irrational. Cap 3: "The Blessings of Madness" Como seria viver numa cidade em que as pessoas estão entregues à própria sorte e só têm sentimentos hostis umas pelas outras? Hoje ouvi um cara dizendo que o que o mundo precisa é que caiam várias bombas atômicas, e que os poucos que sobrarem refaçam as coisas direito. Como pode alguém afundar-se tanto na ignorância acerca do funcionamento das coisas a ponto de não se importar com ninguém, nem com ele mesmo? Apolo e Dioniso foram deuses muito populares na Grécia antiga. Apolo é o deus da distância, da pureza. Distante dos homens, mas sem perdê-los de vista, ele nos observa. Ele sabe o que aconteceu e o que acontece conosco, mas não sabemos. Ele nos envia pragas e nos cura delas. No canto I, da Ilíada, o comandante dos exércitos gregos, Agamemnon, expulsou de sua tenda um velho que suplicava para ter sua filha de volta. Crises então andou, afastou-se. Distante, como Apolo, pediu a este deus que punisse os gregos. Crises era sacerdote de Apolo. O deus mandou sobre os gregos uma praga que matou muitos animais e homens. Cálcis, um vidente, foi chamado para dizer o que havia ocorrido (que deus havia sido desagradado? Não. Que desmedida fizeram os homens!). Cálcis implicou o rei na mortandade. Agamêmnon, tomado pela Ate (perda do discernimento), concordou em devolver a escrava, mas disse que tomaria a de Aquiles. O thymos de Aquiles imediatamente reagiu, pois o orgulho do heroi fora ferido. Aquiles afastou-se da luta, parou de ajudar os aqueus. A moça foi devolvida ao pai, e Apolo suspendeu a praga. Na cidade sujeita a problemas na produção de alimentos e na política interna e externa, o homem recorre à sua capacidade racional e também aos deuses. A Pítia, sacerdotisa de Apolo, faz os rituais apropriados (banha-se, bebe água de fonte sagrada, passa sobre a pele galho de loureiro queimado, ou mastiga a folha, senta-se num trípode de ouro e, entusiasmada (cheia do Deus), profere o oráculo em primeira pessoa (é Apolo falando nela). A loucura divina traz os maiores benefícios para os homens: seja essa loucura profética, apolínea; seja a ritualística, dionisíaca; seja a poética, musical; seja a de conhecimento e melhoria da alma, erótica. Dioniso é o deus do vinho e da congregação. Ele habita entre os homens, dando-lhes êxtase e experiência trágica. O ritual dionisíaco é beber e dançar em grupo, participar do contágio. Esquece-se dos males, delira-se e esquece-se de si. No teatro, vive-se o terror pelo que acontecerá a um Édipo, e compadece-se pelo seu destino. Vive-se a dúvida entre a necessidade de se condenar ou de se absolver Orestes pelo assassinato da mãe, mãe que matou o pai dele (ato que Orestes fez a mando de Apolo). Como a vingança pela morte de um pai ou uma mãe, relativa a uma justiça tribal, pode dar lugar à justiça deliberada? Como as Erínias, vingadoras do desrespeito à Parte que cabe a cada um, podem virar Eumênides, entidades benfazejas chamadas ao se celebrar casamentos e ao se dar à luz? A vida do grego era cheia desses momentos apolíneos, de orientação da vida comunal, e dionisíacos, de relaxamento e de criação de bons sentimentos entre os homens. Desprovidos de rituais e de histórias, de nós mesmos e de congregações, de sentido e de alegria, como sobreviveremos?