У нас вы можете посмотреть бесплатно OS LEITORES DE TABAQUEIRA: A VOZ QUE FEZ DESPERTAR CUBA или скачать в максимальном доступном качестве, видео которое было загружено на ютуб. Для загрузки выберите вариант из формы ниже:
Если кнопки скачивания не
загрузились
НАЖМИТЕ ЗДЕСЬ или обновите страницу
Если возникают проблемы со скачиванием видео, пожалуйста напишите в поддержку по адресу внизу
страницы.
Спасибо за использование сервиса ClipSaver.ru
OS LEITORES DE TABAQUEIRA: A VOZ QUE FEZ DESPERTAR CUBA A figura singular do lector de tabaquería — o profissional que lê em voz alta para os operários das fábricas de charutos — é um dos fenómenos culturais mais fascinantes e menos conhecidos da história social de Cuba. Nasceu da necessidade, cresceu como tradição e tornou se, ao longo de mais de um século e meio, num motor de consciência política, educação popular e identidade coletiva. A sua história é, ao mesmo tempo, a história de uma classe operária que aprendeu a ler com os ouvidos e a pensar com a força da palavra. Uma tradição com raízes no século XIX A leitura em voz alta nas tabaqueiras tem origens que remontam às décadas de 1830 e 1840, embora tenha sido formalmente instituída em 1865, na fábrica El Fígaro, em Havana. Alguns investigadores recuam ainda mais e apontam registos de 1836, sugerindo que a prática terá surgido para educar prisioneiros usados como mão-de obra forçada nas oficinas de tabaco. Seja qual for a genealogia precisa, certo é que, em meados do século XIX, o leitor tornou se presença constante nas galeras de torcedores — primeiro contestado pelos patrões, que temiam a difusão de ideias subversivas, e depois celebrado pelos operários como parte essencial do seu quotidiano. A profissão que educou uma classe Quando esta tradição ganhou forma, 85% dos operários eram analfabetos, segundo relatos históricos. As leituras — jornais, novelas, poesia, ensaios, discursos, receitas culinárias — tornaram-se, portanto, uma escola improvisada no centro da jornada laboral. Para ser leitor era necessário: boa dicção e voz clara; cultura geral suficiente para dialogar com os ouvintes; capacidade teatral para interpretar personagens e emoções. Os ouvintes reagiam às leituras com um ritual que ainda hoje se mantém: batiam com as chavetas nas mesas se aprovassem a leitura, ou atiravam nas ao chão se estivessem descontentes. Até à década de 1960, o salário do leitor era pago pelos próprios trabalhadores — em dinheiro ou produzindo charutos adicionais para compensar o colega que lia. Isso reforçava a ideia de pertença e de responsabilidade coletiva. E o impacto foi enorme: muitos operários aprenderam a ler e a escrever graças às leituras diárias dos leitores. Cuba formou, assim, uma das classes operárias mais instruídas da América Latina. Literatura que moldou consciências — e marcas de charutos O repertório dos leitores incluía: Victor Hugo, Zola, Balzac, Cervantes; jornais diários e discursos patrióticos; autores cubanos como Carlos Loveira. A influência literária foi tão forte que algumas das marcas de charutos mais famosas do mundo surgiram de personagens ou títulos lidos nas fábricas: Montecristo (de O Conde de Montecristo); Romeo y Julieta; Sancho Panza. A literatura tornou-se uma segunda fermentação do tabaco: dava aroma à produção e consciência aos produtores. Uma tribuna revolucionária Desde cedo, o leitor foi mais do que entretenimento: converteu se numa força política. José Martí, herói nacional cubano, via na mesa de leitura uma «tribuna avançada da liberdade». Durante as lutas independentistas do século XIX e mais tarde nas tabaqueiras emigradas para Tampa e Key West, os leitores desempenharam papel crucial na divulgação de ideias revolucionárias, anarquistas ou sindicalistas. Leituras interditadas por patrões e censores contribuíam, ainda mais, para reforçar o prestígio dos leitores entre os operários. Reconhecimento cultural e património vivo Em 2012, a leitura de tabaqueira foi oficialmente reconhecida como Património Cultural da Nação em Cuba. O governo cubano chegou a preparar — embora sem concluir — a candidatura da tradição a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Hoje, a prática subsiste em fábricas como Partagás, Cohiba, Romeo y Julieta ou Montecristo, mostrando uma notável resistência à mecanização e à modernidade. Mesmo com rádio, gravações e televisão, os operários preferem a presença viva e humana do leitor. «A melhor profissão do mundo» O músico cubano Compay Segundo — que trabalhou durante mais de quarenta anos como operário nas fábricas H. Upmann e Montecristo — dizia que ser torcedor de tabaco era «a melhor profissão do mundo: a única em que se podia trabalhar enquanto se lia». Esta frase condensava o espírito da tabaqueira: trabalho manual, cultura viva e comunidade. Uma herança que continua a ser ouvida Hoje, o leitor de tabaquería não é apenas um profissional: é um guardião de uma tradição que une literatura, política, história operária e identidade cubana. Ao longo de 160 anos, foi: educador de analfabetos, agitador político, animador cultural e voz coletiva numa sociedade marcada por profundas transformações. E continua a ser, nas fábricas de Havana e mais além, um símbolo vivo da cultura que se transmite pela palavra — e que se ouve, ainda hoje, entre o cheiro quente das folhas de tabaco, tal como há século e meio.