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QUAL É A COISA, QUAL É ELA, QUE ENTRA PELA PORTA E SAI PELA JANELA? Pois... Não chega lá... Trata-se de Afonso Costa (1871 – 1937), e mais adiante já explicarei porquê. Afonso Costa, um dos principais políticos da Primeira República: advogado, professor universitário, líder do Partido Republicano – que viria a designar-se por Partido Democrático, deputado, ministro da Justiça e das Finanças, três vezes primeiro-ministro (em governos de muito curta duração), presidente da delegação portuguesa na Sociedade das Nações, foi o mais amado e o mais detestado homem público do seu tempo. Uns tinham-no como grande democrata, idealista, excelente orador, homem de ação e patriota, outros como o maior dos demagogos, interesseiro, radical (no ataque cerrado que fez à Monarquia e à Igreja, por exemplo), carreirista e sem escrúpulos. Era talvez o político que mais irritava Fernando Pessoa, embora também lhe reconhecesse alguns méritos: por um lado, o poeta admirava-o por, enquanto chefe do Executivo, cumprir tudo quanto prometia em campanha – e, nesse aspeto, dizia: «Não sou, evidentemente, seu correligionário, mas não consigo ser seu inimigo. Nego-lhe o meu apoio; não posso negar-lhe o meu respeito». Todavia, detestava-o por cumprir tudo quanto prometia de forma drástica e pouco democrática, fazendo tudo à bruta e sem escutar ninguém, considerando-o um dos grandes responsáveis pela situação de enorme instabilidade, a todos os níveis, em que, à época, o país se encontrava – e, nessa perspetiva, redigiu textos de opinião que o arrasavam, qualificando-o com os piores epítetos. Acontece que, no dia 3 de julho de 1915, viajando Afonso Costa de carro elétrico, a caminho de Algés, com o intuito de usufruir de uns momentos de paz junto ao mar, em plena Avenida 24 de julho, ao ouvir um disparo seguido de um clarão, o líder republicano, num tempo tão conturbado como foi o início do século XX, interpretou um mero curto-circuito que causara uma pequena explosão, como se fora um atentado. Então, assustado, com o elétrico em andamento, atirou-se pela janela, o que lhe causou um traumatismo craniano. E é neste contexto que surge a adivinha. Passados alguns dias, alguém, no gozo, resolveu pô-la a circular: «Qual é a coisa, qual é ela, que entra pela porta e sai pela janela?». É claro que Fernando Pessoa, pela mão do seu heterónimo mais desinibido e provocador, Álvaro de Campos, não se conteve, e três dias depois, a 6 de julho de 1915, nas páginas do jornal A Capital, a propósito de uma polémica relacionada com a atribuição da qualidade de futurista (no sentido pejorativo) ao grupo de Orpheu, a que pertencia, respondeu: «(...) Passo em branco sobre a atribuição de futurismo que nos pretendem lançar. De resto, seria de mau gosto repudiar ligações com o futurismo numa hora tão deliciosamente mecânica em que a Providência Divina se serve dos carros elétricos para os seus altos ensinamentos.» Como seria de esperar, a resposta de Pessoa ao periódico caiu que nem uma bomba no país da modorra e do «Está bem, sim senhor». Mas essa, é já outra história. Fica para a próxima...