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FOUCAULT, M. A escrita de si. MOTTA, M. B. (Org.). Michel Foucault: ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. (Coleção Ditos e Escritos V). p. 144-162. “A escrita de si", Corps écrit, nº 5: L'autoportrait, fevereiro de 1983. ps. 3-23. A "série de estudos" de que M. Foucault fala tinha sido inicialmente concebida como uma introdução para Uso dos prazeres, com o título Cuidado de si. Como este título foi conservado para uma nova distribuição dos elementos de Uso dos prazeres, foi então programada pela Éd. du Seuil uma série de estudos mais gerais sobre a governamentalidade, com o título Le gouvernement de soi et des autres. 1. A escrita de si como disciplina e companhia Foucault explora a "escrita de si" nas culturas greco-romana e cristã dos primeiros séculos. A Vita Antonii de Atanásio, por exemplo, destaca a escrita de ações e pensamentos como essencial para a vida ascética, funcionando como um substituto do olhar do companheiro na anacorese. Ao escrever, o indivíduo se sente observado, o que gera vergonha e o impede de ceder a pensamentos impuros. Essa prática serve como uma "prova da verdade", dissipando as ilusões tecidas pelo demônio na sombra da interioridade. A escrita atenua os perigos da solidão, atuando como um companheiro invisível e exercendo sobre os movimentos internos da alma o mesmo constrangimento que a presença física de outrem exerce sobre a conduta, aproximando-se da prática da confissão. 2. A askēsis e a função etopoiéitica da escrita A aquisição da "arte de viver" (technē tou biou) dependia da askēsis, um treino de si por si mesmo, que incluía a escrita. Nos textos da época imperial, a escrita para si e para o outro desempenhava um papel considerável. Epicteto associa a escrita à meditação (meletan) e ao exercício (gummazein), concebendo-a como um processo linear (meditação, escrita, experiência na realidade) ou circular (meditação, notas, releitura, meditação). A escrita se torna uma etapa essencial na elaboração de discursos verdadeiros em princípios racionais de ação, exercendo uma função etopoiéitica – a transformação da verdade em ēthos. 3. Os hupomnémata e a constituição de si Entre as formas de escrita de si, destacam-se os hupomnémata (cadernos de anotações), que não eram meros suportes de memória, mas um material e um enquadramento para exercícios frequentes de leitura, releitura e meditação. Neles, registravam-se citações, fragmentos, exemplos e reflexões, acumulando um "tesouro" para uso futuro. Diferentemente dos diários ou confissões cristãs, os hupomnémata não buscavam revelar o oculto ou o indizível, mas sim captar o já dito para a constituição do si. Essa prática se opunha à "stultitia" (agitação mental, instabilidade), fixando os elementos adquiridos e criando um "passado" acessível, desviando a mente da inquietude do futuro e permitindo a apropriação do conhecimento. 4. A correspondência e a objetivação da alma A correspondência, embora destinada a outro, também funciona como um exercício pessoal, pois ao escrever, o autor se lê e se ouve. Cartas como as de Sêneca a Lucílio revelam uma prática de direção espiritual recíproca, onde o aconselhamento ao outro se torna um treino para si mesmo, uma "praemeditatio" para eventos futuros. A correspondência é mais do que um adestramento; ela é uma maneira de se manifestar, tornando o escritor "presente" para o destinatário de forma quase física. Ao escrever, o indivíduo se expõe ao olhar do outro, que assume o lugar de um "deus interior", culminando em uma objetivação da alma. Isso é evidente no desenvolvimento da narrativa de si na correspondência, que foca nas interferências da alma e do corpo e nas atividades do lazer, ligando a subjetividade à verdade e dando especial relevância a fenômenos internos como a ereção, transformando a ética sexual em uma contínua autoanálise.