У нас вы можете посмотреть бесплатно CIPRIÃO DE FIGUEIREDO: O GOVERNADOR QUE FEZ DOS AÇORES UM REDUTO DE LIBERDADE или скачать в максимальном доступном качестве, видео которое было загружено на ютуб. Для загрузки выберите вариант из формы ниже:
Если кнопки скачивания не
загрузились
НАЖМИТЕ ЗДЕСЬ или обновите страницу
Если возникают проблемы со скачиванием видео, пожалуйста напишите в поддержку по адресу внизу
страницы.
Спасибо за использование сервиса ClipSaver.ru
CIPRIÃO DE FIGUEIREDO: O GOVERNADOR QUE FEZ DOS AÇORES UM REDUTO DE LIBERDADE Na segunda metade do século XVI, quando o império português atravessava uma das suas maiores crises políticas, surgiu nos Açores uma figura que se tornou símbolo de resistência, coragem e convicção: Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (1550 – 1606), governador da Terceira e defensor intransigente da autonomia do arquipélago em plena crise sucessória de 1580. Era um homem formado na tradição militar e administrativa da monarquia portuguesa, nomeado por D. Sebastião em 1576, e que testemunhou, poucos anos depois, o colapso da independência nacional. No entanto, ao contrário de tantos outros governantes e fidalgos, recusou qualquer submissão imediata ao poder espanhol. Em fevereiro de 1582, já Portugal se encontrava sob domínio de Filipe II, mas os Açores mantinham-se em rebelião ativa. Ciprião de Figueiredo escreveu então ao monarca espanhol uma das cartas mais célebres da história açoriana, denunciando as injustiças e os constrangimentos vividos pelo povo português. Afirmou que os habitantes da Terceira prefeririam a morte à sujeição pacífica — uma declaração que transformaria a frase «Antes morrer livres que em paz sujeitos» na futura divisa do arquipélago. Nesse gesto de insubordinação pública, Ciprião afirmava não apenas a sua posição política, mas o espírito de uma comunidade que, isolada no Atlântico, recusava ver o seu destino decidido por potências externas. A resistência açoriana não era apenas retórica. Já em julho de 1581, a Terceira fora palco de um confronto decisivo: a Batalha da Salga. A ilha, estrategicamente vital para controlo marítimo entre a Europa e o Novo Mundo, encontrava-se vulnerável, com poucos homens armados e recursos escassos. A armada espanhola, comandada por D. Pedro de Valdez, preparava-se para um desembarque avassalador com mais de mil soldados, equipados com armamento moderno e confiantes numa vitória rápida. O objetivo era claro: neutralizar a última grande resistência ao domínio filipino. Ciprião de Figueiredo organizou a defesa possível com militares e civis que se voluntariaram para travar o avanço castelhano. Mas a desproporção de forças era evidente. Em poucas horas, parte da linha defensiva ruíra e muitos combatentes jaziam no areal. O cenário parecia conduzir à inevitável ocupação da ilha — até que uma solução improvável emergiu do campo de batalha. Frei Pedro, frade agostiniano, combatente improvisado naquela manhã de verão, sugeriu a utilização do único «exército» abundante na Terceira: o gado. A estratégia, que à primeira vista pareceu absurda, rapidamente revelou a sua lógica. O frade propôs reunir centenas de cabeças de gado bovino da zona da Salga, atiçando-as com fogo e aguilhões, de modo a lançá-las em debandada contra as fileiras espanholas. Ciprião hesitou, mas a gravidade da situação e a confiança do religioso levaram-no a autorizar a manobra. O impacto foi devastador. A manada avançou em fúria, rompendo a formação espanhola e arrastando dezenas de soldados para o mar. O peso das armaduras impedia os de emergir, e muitos pereceram afogados. O pânico instalou-se entre os invasores, surpreendidos por uma tática que nenhum manual militar contemplava. Atrás da avalanche de animais, seguiram os combatentes terceirenses armados com arcabuzes, varapaus e tudo o que lhes restara. Em minutos, a poderosa força castelhana estava desfeita. A Terceira sobrevivia. E fazia o às mãos — e aos cornos — de bois e vacas que se transformaram em aliados improváveis da liberdade portuguesa. A vitória teve repercussões muito além da ilha. Mostrou ao mundo que Portugal, mesmo dividido internamente, não se rendera por completo. Foi um triunfo moral que alimentaria a imagem dos Açores como último bastião da independência — e que reforçou a reputação de Ciprião de Figueiredo como líder íntegro e destemido. Porém, a sua resistência política teve consequências. Perseguido e sem condições para continuar a governar sob domínio filipino, abandonou as funções e partiu para o exílio em Paris, onde se juntou a D. António, Prior do Crato, o mais persistente opositor dos Filipes. Este, reconhecendo o contributo do antigo governador, atribuiu-lhe o título de conde da vila de São Sebastião, nas proximidades da própria Salga. O nome de Ciprião de Figueiredo, embora por vezes esquecido no continente, permanece vivo na memória açoriana. Representa uma ideia que sobreviveu a tempestades políticas, invasões e séculos de mudança: a defesa da liberdade como valor supremo. A Batalha da Salga é, afinal, muito mais do que um curioso episódio militar. É a prova de que, mesmo nas circunstâncias mais adversas, uma comunidade pode decidir o seu destino — e que a bravura, ainda que armada apenas de engenho e improviso, pode derrotar a força bruta. (...)